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26 Jul 2010
Meias e atacantes em extinção
por Robson Capretz
Sí, aún soy yo!

Tem gente falando que o nível da Copa 2010 foi baixo. Alguns: baixíssimo. Outros dão nota 9 pro torneio, como Zé Blatter (é assim que Lulinha cumprimenta seu novo chapinha). Muitos notaram que não houve dribles: zero, nada, nothing, niet. Umas três pedaladinhas do Robinho na frente de dois norte-coreanos, mas tecnicamente nem foi um drible porque o velho menino da Vila deu toquezinho pro lado em vez de encarar os japas. Os craques da Jabulani sumiram, a Jabulani apareceu quase tanto quanto o Maradona e o coro das vuvuzelas. Cadê Kaká? Messi murchou? Rooney ruiu? Até o Niño Torres saiu torrado. E o cri-cri Cristiano? Ih!

Nada. Tudo errado. A Copa foi legal, disputada. Os craques jogaram bem, só não fizeram trocentos gols. A bola não foi obstáculo pra ninguém, nem as vuvuzelas. Não teve dribles, não teve gênios, por um único e inexorável motivo: o futebol mudou. E os craques? Não são mais meias, nem atacantes: são híbridos, ETs, filhotes de pica pau com quero quero, Frankensteins. São o 1.

O 1 do 4-3-1-1-1, às vezes 3-2-3-1-1. Ninguém mais joga no 4-4-2, nem 4-3-3. Todo mundo joga com 1 atacante, tal qual o Brasil na Copa. Logo atrás, lá está: o craque. Nesse 1 antes do atacante está aqueles todos jogadores que são aclamados como sensação: Kaká, Ronaldinho, Messi, Cristiano Ronaldo, Robinho, Rooney (sim, até o Shrek!), Forlan.

Meias e atacantes tradicionais estão em extinção. Ronaldinho é meia? Robinho é atacante? Qual a diferença tática entre o Hernanes no São Paulo e o Kaká no Real Madrid?

Veja o Manchester United 2008/2009: Rooney, Cristiano Ronaldo, Berbatov e Tevez. Às vezes até tinha o Nani. Cinco atacantes? Nada, balela. Enfiado mesmo (ou o chamado "atacante de referência") só o Berbatov. Cristiano Ronaldo de um lado, Tevez do outro, e Rooney como o 1. O bendito 1.

Veja o Barcelona 2005/2006. Ronaldinho, Eto'o e Messi. Três atacantes puros? Nah! Só Samuel enfiado, e os outros dois flutuando pelos flancos, ora pelo meio. Mesmo no futebol brasileiro: Hernanes é meia, ou volante? Cleiton Xavier é meia, ou volante? Elano é meia, ou volante? Arouca é meia, ou volante?

O futebol está mudando. O objetivo do esporte é marcar gols. E agora a evolução tática do esporte vai conduzindo o jogo para a extinção do camisa nove tradicional. A campeã mundial tem Iniesta, Xavi, Alonso, e só um atacante que nem é muito atacante: David Villa. Quase quase um Robinho. O centroavante titular, camisa nove autêntico, sumiu. Fernando Torres (machucado ou não) fez nadica de nada na África do Sul.

É contraditório: pra ganhar, menos jogadores na frente. Como bem escreveu Marcelo Barreto durante a Copa: é a era Mourinho. Defesa, defesa, defesa. Manter a bola nos pés a maior parte do tempo. Carlos Alberto Pé-de-Uva já dizia isso em 2006, desde 1994. E nesse ponto nosso estimado e saudoso técnico Dunga estava sintonizado com o futebol atual.

Na Copa de 2010, a base foi do quadriênio 2002-2006: Juan e Júlio César de 2001/2002; Kaká, Júlio Baptista, Josué do São Paulo 2001/2002/2003; Robinho e Elano do Santos 2002. Ou seja: a seleção de 2014 deveria ser formada pelas promessas de 2006-2010. E quais foram os melhores jogadores do campeonato nacional do período? Quais foram as revelações? Lucas (volante, que pode ser meia, ou um "volante que sabe jogar"), Rogério Ceni (tá, não falemos das múmias), Diego Souza (meia, ou atacante?), Hernanes (volante ou meia?).

Fica muito difícil rotular os jogadores hoje. Só sei que o camisa 11 já morreu. O 7 faz tempo. E agora é a vez do 10 e do 9.
1 Apr 2010
O campeonato sem fim

por gustavo poli http://colunas.globoesporte.com/gustavopoli/2010/01/05/vies/

O grande debate surdo começou na segunda-feira, dia 7 de dezembro. Ele já vinha se ensaiando, em escaramuças virtuais, mas claro, ganhou força assim que o Flamengo conquistou seu (quinto, sexto?) título brasileiro com a vitória sobre o Grêmio. Os rubro-negros cariocas, muito enfaticamente, celebraram o hexa, e o empate em numero de conquistas com o São Paulo. Os tricolores paulistas, claro, ironizaram – dizendo que 1987 não foi título, porque a CBF não reconhece etc. E torcedores do Sport Club Recife, bom, esses… estrilaram.

É uma discussão que se arrasta há tanto tempo – mais de 20 anos – que dez entre dez cronistas esportivos bufam, sopram e grasnam diante dela. Você deve ter lido e ouvido um caminhão de gente dizendo que não agüentava mais falar sobre o tema, que ele era insuportável, mala, ugh, mais chato do que um videoteipe da Fernanda Young se auto-entrevistando e posando nua ao mesmo tempo. Este escriba aqui, arriscadamente, discorda. A discussão está longe de chata. Pelo contrario – ela é fascinante. E é assim porque é uma típica história brasileira – repleta de macunaímas e capitães nascimento.

O debate é surdo porque nenhum dos lados quer, no fundo, ouvir o outro. O torcedor quer apenas vestir seus argumentos como fatos, apresentá-los e usá-los em favor de seu time. O mais interessante, pois, é como a discussão sobre o hexa-penta (ou penta-hexa) expõe a matéria-prima de todo e qualquer torcedor: o viés. Em nenhum idioma, a idiossincrasia do fã de futebol foi tão bem captada como no Brasil: o verbo torcer nasceu de um hábito das finas torcedoras do início do século XX: elas, agoniadas com os dramas em campo, torciam lenços com as mãos. Mas, de lá pra cá, o verbo galgou parâmetros.

O que fazemos, na arquibancada, é torcer a realidade a nosso favor. As faltas a favor do nosso time são evidentes. As faltas contra nosso time nunca existem. O juiz rouba contra nós – sempre – a não ser quando marca aquele pênalti incrivelmente inexistente e bom, aí, é “errou, né, mas já cansaram de errar contra nós” ou “o juizão é nosso” (o que é claramente perdoável). O torcedor tem a isenção do leão diante da zebra.

Exemplo? Procure MEIO torcedor do Flamengo que não considere o titulo de 1987 como brasileiro. É mais fácil encontrar um branco não-turista em Soweto (Informe Copa 2010: em Soweto, vivem três milhões de negros e 16 brancos). Por outro lado, procure MEIO torcedor do Sport que diga que o time não é o único campeão daquele ano. Procure mais – busque um torcedor de Vasco, Fluminense ou Botafogo que não torça o nariz implicante e diga “hexa sem ser penta… deve ser a primeira vez”.

E é por isso que a discussão é interessante – ela é um típico debate brasileiro sobre futebol. Foi Nelson Rodrigues, ecoando o filósofo alemão Johann Gotlieb Fichte, que sintetizou o viés do torcedor:

- Se os fatos me desmentem… pior para os fatos.

Toda santa discussão de futebol – seja no bar, no gabinete ou no planalto – tem viés. Tem lado. Futebol é fascinante justamente por isso – por ser um jogo que acaba mas não termina. A vitória em campo é, sem dúvida, a mais importante. Mas depois dela se seguem inúmeras e infinitas partidas morais. Exemplo: que torcedor do Corinthians não se irrita quando questionam a legitimidade do titulo brasileiro de 2005 apresentando o football card do Márcio Rezende de Freitas?

Questionar a vitória alheia é parte da dialética do futebol. Como torcemos pelo bem (nosso time) contra o mal (qualquer adversário), precisamos entender a derrota, justificá-la, explicá-la, digeri-la. Precisamos de argumentos que permitam estender a discussão maior – e eterna – que é a narrativa infinda da rivalidade.

E é no cenário desta narrativa que 1987 se insere – e continua vivo – como o campeonato brasileiro por excelência. Como o campeonato que nunca vai terminar – continuará sempre aberto – como uma fresta a expor nossas virtudes e mazelas. Sim, virtudes e mazelas porque o que aconteceu em 1987, dois anos antes da eleição que Lula perdeu para Collor (é…) e da assunção de Ricardo Teixeira ao poder… tem muito a nos dizer sobre o futebol (e o país) de hoje.

É uma história de interesses políticos e comerciais – de enfrentamento entre capitanias hereditárias e um arremedo de capitalismo – que ilustra quão difícil é a construção de um futebol de mercado num país continental. Examinemos, pois, o que plantou essa história sem fim – percebendo como a genuflexão de fatos pode atender este ou aquele freguês. Voltemos pois até 1986, quando começa nossa história.


O monstro de 80 cabeças

Em 1986, a CBF conseguiu (des) organizar o mais bagunçado Campeonato da história (e isso, amigos, é um feito). Era um monstrengo com 80 clubes divididos em 8 grupos de 10 – quatro de elite, quatro menos votados. Classificavam-se para a segunda fase os sete primeiros dos quatro primeiros grupos (28 clubes) e mais os vencedores dos grupos inferiores (4). E, para temperar com ácido a feiúra deste rostinho, ali pelo fim da primeira fase uma decisão do STJD (ele já existia) deu ao Joinville pontos de um jogo contra o Sergipe (por causa de doping). O Vasco, eliminado por isso, entrou na justiça comum para cassar a decisão. E conseguiu.

Para evitar uma guerra de liminares, a CBF tentou desclassificar a Portuguesa, por conta de um problema com ingressos. Os clubes paulistas reagiram solidários e ameaçaram boicotar a segunda fase. A entidade máxima, pois, encontrou uma solução salomônico-genial: botar todo mundo pra dentro. A segunda fase passou a ter 33 times. O problema é que com número ímpar de equipes ficou difícil fazer a tabela. A saída foi convidar mais três equipes pela janela – Santa Cruz, Sobradinho e Náutico. Essa vergonhosa zona – no primeiro ano de uma polêmica nova gestão na CBF (a dupla Otávio Pinto Guimarães – Nabi Abi Chedid) – plantou a “revolução” do ano seguinte. No fim, o São Paulo foi campeão, derrotando o Guarani de Ricardo Rocha em Campinas e nos pênaltis. O América-RJ ficou em terceiro (depois de eliminar o Corinthians) e o Atlético-MG em quarto.

O detalhe a observar: antes do Campeonato, e por pressão dos clubes, o Conselho Nacional de Desportos (CND) e a CBF acertaram que 1986 seria “classificatório” para 1987. Dos 44 times dos módulos de “cima” do torneio – 24 seriam classificados para a primeira divisão do ano seguinte. A confusão jurídica implodiu essa combinação – e evitou que dois times grandes disputassem a segundona num suposto campeonato de 1987 (Botafogo e Coritiba).


1987, a secessão que não foi

A balbúrdia acima (muito) resumida exacerbou a já antiga revolta com a CBF. Desde 1971, o Campeonato Brasileiro era um cruzamento de bunda-lelê com INPI – todo ano trazia uma patente nova: uma fórmula diferente com um número de clubes variável e injunções políticas de toda sorte. Só uma coisa não mudava: os certames eram cada vez menos rentáveis. Os clubes de maior torcida eram obrigados a disputar inúmeras partidas deficitárias, enfrentando times sem expressão, fazendo viagens longas em meio a receitas mirabolantes (teve campeonato com desempate até por renda). O caos de 1986 foi uma espécie de gota d’água.

O primeiro ato foi da CBF que, atolada em dívidas, simulou arrego dizendo que não tinha grana para organizar o campeonato de 1987. O simulacro de renúncia recebeu seu golpe no quengo quando o recém-fundado Clube dos 13 – entidade que unia os 13 maiores clubes do país (os quatro grandes de Rio e São Paulo, os dois grandes de MG e RS e o Bahia) – avisou que organizaria sozinho a competição – e a chamaria de Copa União. A competição teria 16 times (os 13 do clube e os convidados Coritiba, Goiás e Santa Cruz), seria rentável e prometia uma nova era – com estádios cheios e tabela organizada. Pressionada pelas equipes alijadas (Guarani, Sport, América & outros), a CBF voltou atrás – desistiu de desistir – e disse que organizaria sim o campeonato. O Clube dos 13 – que já tinha tabela pronta, patrocínio acertado – não aceitou. A CBF, apoiada pela FIFA (que não pode nem ouvir falar em secessão), ameaçou desfiliar os revoltosos. Vale lembrar que não era uma ameaça vazia: a FIFA, por princípio, sempre ficou do lado das entidades. O impasse estava criado.

Para viabilizar o campeonato, um acordo foi costurado – e assinado pela CBF e pelo Clube dos 13 (signatário Eurico Miranda, então vice-presidente do Vasco e da entidade). Pelo acordo, a Copa União seria o módulo verde de um campeonato com quatro módulos (os outros seriam o amarelo, o azul e o branco). Os módulos verde e amarelo teriam um cruzamento para determinar os campeões brasileiros – algo que, tecnicamente, não fazia sentido nenhum. Aliás, outras coisas não faziam sentido técnico – Guarani e América-RJ, respectivamente vice e terceiro em 1986, jogariam o módulo amarelo. O América, indignado, recusou o rebaixamento – e o módulo teve apenas 15 equipes.

O Clube dos 13 assinou o acordo – mas combinou internamente que roeria a corda. Pode-se questionar, hoje, a ética do São Paulo ao inserir “penta” ou “hexa único em camisas comemorativas tendo sido um dos signatários do “acordo a não cumpr”ir”. Como pode se questionar a ética de quem assina um papel já sabendo que vai rasgá-lo. Como pontuou certa vez o luminar Caixa D’Água, ou Eduardo Viana, secular presidente da Federação do Rio, representante egrégio do pensamento dirigente nacional:

- Acordo, eu descumpro. Papel, eu rasgo. Opinião pública pra mim deve ser tratada na base da metralhadora.

O acordo foi selado no dia 15 de setembro - quando a bola da Copa União já havia rolado. Palmeiras e Cruzeiro abriram a competição numa data que hoje talvez soe profética – 11 de setembro de 1987 – uma sexta-feira. Quatro meses depois, os finalistas do módulo verde cumpriram o que tinham combinado. O Flamengo venceu a Copa União no dia 13/12/87 – botou a faixa e resolveu ignorar solenemente, ao lado do vice Inter, a existência do cruzamento. O módulo amarelo, não por acaso, foi decidido no mesmo dia. O Guarani tinha vencido a primeira partida por 2 a 0 em Campinas e perdeu o jogo da volta, no Recife por 3 a 0. Como o regulamento não previa desempate por saldo de gols – a decisão foi para os penais… e nunca terminou. Ou terminou em 11 a 11 e com os dirigentes dos dois times dividindo o titulo do módulo num clima de casados e solteiros. O Guarani foi citado na súmula por abandono de campo – e abriu mão do título dez dias depois (para evitar uma punição). Esse é um argumento, aliás, que os torcedores do Sport costumam usar – o titulo do módulo não valia muita coisa.

O que pouca gente recorda é que pouco mais de um mês depois – no dia 15 de janeiro de 1988 – houve uma reunião do Conselho Arbitral, formado pelos clubes, na qual foi proposta oficialmente a modificação do regulamento –para abolir o cruzamento. Nos termos da lei, o regulamento só poderia ser modificado se houvesse unanimidade. Dos 32 times inscritos (16 de cada módulo) – 29 compareceram e votaram. Sport, Guarani, Náutico, Fluminense e Vasco votaram contra a mudança – impedindo-a na teoria. O CND considerou porém que a maioria bastava e proclamou o Flamengo como campeão.

A ópera-bufa não tinha terminado. A CBF ignorou o CND e marcou as partidas do cruzamento – que era um quadrangular onde todos se enfrentavam. No dia 24 de janeiro, o Sport entrou em campo para enfrentar o Internacional, que nem pensou em ir. Os 11 jogadores do Sport esperaram os 30 minutos regulamentares, assim como o trio de arbitragem – para configurar o W.O. A partida seguinte, contra o Flamengo, estava marcada para o dia 27. O clube carioca, porém, conseguiu uma liminar na justiça estadual do Rio para não jogar. Os advogados do Sport descobriram que a juíza responsável estava de folga em Angra dos Reis – e estrada estava fechada por causa das chuvas (não é coisa nova). Alugaram um helicóptero e conseguiram convencer a magistrada a cassar a liminar.

Depois de duas vitórias por W.O. para cada– Sport e Guarani se classificaram para a decisão. No primeiro jogo, empate em 1 a 1 em Campinas. No segundo, no dia 7/2/88, vitória do Leão por 1 a 0. A taça das bolinhas foi entregue ao capitão do Sport – Estevam Soares, hoje técnico do Botafogo. E a CBF indicou Sport e Guarani como representantes do Brasil na Libertadores de 1988. A proclamação do CND abriu caminho para que o Sport acionasse judicialmente a União – pois o Conselho era um órgão do governo federal. Três dias depois do resultado em campo, o Sport entrou com uma ação judicial declaratória na décima vara federal de Pernambuco pedindo o reconhecimento do título. Na ação, o Leão acionava a União, o Flamengo, o Inter e a própria CBF.

A sentença do caso – favorável ao Sport – só saiu em 1994. A União apelou e perdeu em segunda instância em 1997. Novo agravo de instrumento subiu para o Superior Tribunal de Justiça – que em 1999 manteve a sentença inicial. Em 2001, venceu o prazo para que o Flamengo (ou qualquer parte) recorresse (para isso seria necessário apresentar alguma evidência nova para reformar a sentença definitiva). Em suma, é uma sentença transitada em julgado que não pode ser modificada. Muito por isso, a CBF não tomou a salomônica decisão de repartir o titulo de 1987. E, ironia ou não, hoje o Sport é membro do clube dos 13 – e não abre mão de jeito nenhum de ser considerado campeão único do campeonato sem fim.


A paz e os pênaltis

Em 1988, a paz foi selada… e a CBF organizou um campeonato com apenas 24 clubes. Sem o rompimento do clube dos 13 – dificilmente o número de participantes seria reduzido – e continuaríamos patinando em dráculas político-deficitários. Quem elegia o presidente da CBF até então era um colegiado formado apenas pelos presidentes das federações estaduais (isso mudou nos anos 90 com os clubes ganhando voto). E o interesse de cada federação era comer um pedaço do bolo – mesmo que ele fosse de péssimo sabor.

Em 1988, por causa da revolta do ano anterior, essa camisa-de-força foi enfim rompida – e com algum bom senso. Guarani, Sport e America-RJ foram incluídos na primeira divisão – e o campeonato foi disputado com um número razoável de clubes – 24. Mas, claro, não poderia faltar uma invenção. O certame começou com um regulamento – que ainda no início foi modificado para acrescentar uma “inovação”: vitória valeria três pontos (antes valia dois). Nas partidas que acabassem empatadas, cada clube levava um ponto, mas haveria um ponto extra a ser decidido nos pênaltis. Isso provocou a abertura gratuita do Maracanã numa tarde de quarta-feira para que Botafogo e Fluminense – que tinham empatado antes da mudança do regulamento – disputassem o pontinho extra nos penais (o Fluminense levou quando Mauro Galvão cobrou… e Ricardo Cruz defendeu).


Parêntesis para Frank Jr

É importante entender que o Frankenstein de 1987 não foi filho único. Doze anos depois, no fim de 1999, uma outra confusão judicial implodiu a primeira divisão nacional. A zorra começou com a perda de pontos do São Paulo (pela escalação supostamente consciente do “gato” Sandro Hiroshi) contra o Botafogo (num jogo que o time paulista venceu por 6 a 1). Com os pontos ganhos, o Botafogo se salvou do rebaixamento e quem caiu foi o Gama-DF. Tendo como campeão o atual governador do Distrito Federal, José Robertone Arruda (que ironicamente torce pelo Botafogo), o Gama entrou na justiça comum contra o rebaixamento e impediu a CBF de organizar o Brasileiro de 2000.

A CBF, ironicamente, disse para o Clube dos 13: toma que o filho é teu. Organiza esse bichano. Mas os Arrudones do Planalto tinham cancha – e conseguiram forçar um impasse: sem o Gama, não haveria campeonato. O Clube dos 13 teve que se curvar e dar vida ao maior e mais distinto campeonato continental deste país – a Copa João Havelange,. Uma coincidência que pouca gente recorda – o nome do troféu do Módulo Verde de 1987 também era… “João Havelange” (o do módulo amarelo era “Roberto Gomes Pedroza”).

Para acomodar o Gama, seria necessário… acomodar todo mundo – mais ou menos como em 1986. Nasceu então… Frankenstein Junior, um gigantesco calhau com 116 times… e quatro módulos. Sim… o certame de 1987 não foi o único a ostentar nossos queridíssimos módulos. Em 2000, lá estavam eles, bonitinhos – um módulo verde, um amarelo, um azul… e um branco. O módulo da elite, desta vez, mudou de cor – ficou azul – com 25 times (entre eles, os “importados” Fluminense e Bahia – que deveriam disputar a Série B – além de Botafogo e Gama).

O regulamento de Frank Jr. era criativo: dos 25 times do módulo azul, 12 se classificavam para as oitavas-de-final. O módulo amarelo fornecia três classificados. O último saía do cruzamento entre os módulos verde e branco. Por conta disso, o Brasil poderia começar o milênio tendo como campeão o Baré (de Roraima). Ou o Genus (de Rondônia). Ou o Tocantinópolis (de Tocantins). Ou o Malutron-PR , vencedor da decisão entre os módulos humildes – que jogou nas oitavas contra o Cruzeiro (e perdeu).

Vale reparar na coincidência: a confusão na justiça desportiva, o pulo para a justiça comum, o envolvimento político, o chamado à FIFA, o princípio do cruzamento. Até o nome do troféu…

Desta vez, porém, o confronto não era entre CBF e Clube dos 13 – e sim entre o Gama – com o establishment político de Brasília por trás – e o Clube dos 13. Como o módulo azul serviria como prévia da primeira divisão de 2001 – e tudo estava claro – não havia motivo cabível para abortar o cruzamento. Tanto que um time do módulo amarelo, o São Caetano, chegou à final, na qual foi derrotado pelo Vasco no Maracanã (já em 2001) depois de um polêmico jogo interrompido em São Januário.


Enfim, a questão

Após esse muito breve resumo, que pergunta o humilde, imparcial e isento leitor daria para a pergunta… “Quem é o verdadeiro campeão brasileiro de 1987?”

Alternativas abaixo:

a) O Flamengo, claro, pois disputou o verdadeiro campeonato, enfrentou os melhores times e avisou desde sempre que não aceitaria o patético cruzamento contra times que enfrentaram babas como CSA, Rio Branco-ES, Bangu e Criciúma. Foi o representante da mudança no futebol brasileiro – que provocou o primeiro avanço em eras, começando a implodir o sistema feudal das federações e marcando uma posição histórica, reconhecida pela grande imprensa na época – que produziu inúmeras manchetes com o “tetra” rubro-negro.

b) O Sport, claro, pois cumpriu o regulamento acordado com todos os clubes e entrou em campo como previsto para o cruzamento. E foi proclamado campeão pela organizadora do campeonato – disputou a Libertadores no ano seguinte e, mesmo ignorado pela mídia do eixo Rio-São Paulo, foi consagrado por sua torcida e pela imprensa pernambucana. Além disso, que culpa tem o Leão se o adversário preferiu marcar uma suposta posição a cumprir as regras que ele mesmo assinou?

Ao vencedor, as bolinhas

Obviamente, a escolha é livre – e interessa menos. Essa é uma discussão eterna. Mas meramente levantá-la provoca irritação em ambos os campos – o presidente do Sport ameaçou processar quem chamasse o Flamengo de hexa e foi soterrado por manchetes (com as esperadas exceções). Ao torcedor do Leão, vale anotar que, se o titulo fosse do Sport, as manchetes seriam bi – porque elas são leituras do que diz a torcida.

Na época, a CBF tinha um troféu, a chamada taça das bolinhas – que deveria ser entregue ao primeiro clube que conquistasse cinco vezes o titulo nacional. Ele foi entregue pela última vez em 1992… justamente ao Flamengo, que conquistava ali o que seria seu quinto titulo se contarmos 1987 (a mudança do troféu no ano seguinte não sugere alguma coisa?).

Quando o São Paulo ganhou seu quinto titulo, em 2007, os dirigentes do tricolor paulista pediram a taça. Mas a CBF não deu. Ela continua guardada num cofre da Caixa Econômica Federal – de onde provavelmente nunca sairá. Agora, a CBF pode até fazer duas réplicas – e entregar uma para o São Paulo e outra para o Flamengo (já que oficialmente a entidade considera que o rubro-negro carioca conquistou seu quinto título apenas em 2009). Se quisesse entregar a taça original para o São Paulo, convenhamos, a CBF já tinha entregue.

A torcida aqui, porém, é para que a taça permaneça para sempre neste obscuro escaninho federal – como se fosse uma espécie de Hangar 51 futebolístico. A taça oculta é a arca perdida do futebol brasileiro – e só é assim porque ninguém a possui. Ela é o símbolo do campeonato sem fim – um monumento a tudo aquilo que vencemos aos poucos; e representa todo o atraso que exorcizamos até chegar ao (relativamente) racional presente. Hoje não temos mais campeonatos com centenas de clubes – as Séries A, B e C estão organizadas – e a D começa a existir. Podemos questionar ou debater se os pontos corridos são sensacionais ou não – mas virada de mesa saiu do dicionário dirigente – o que, pode não parecer, mas é um imenso, imenso avanço.

O objetivo desse texto (ou testamento) não é discutir o mérito da questão de 1987– pois seria inócuo. É até se divertir um pouco com ele – vendo quantas idas e vindas se deram – e quantos enredos (e vilões) de desenho Disney o futebol brasileiro já pôs em circulação. Só tocar no tema já provocará alguma revolta – especialmente naqueles que julgam masculinamente importante que as vitórias de seu time sejam inquestionáveis.

Em qualquer discussão futebolística citar gregos significará desagradar troianos. A partida maior nunca termina – e ser imparcial joga contra tudo o que o torcedor sente, vive e aprende desde a primeira vez em que entra num estádio. A multidão liberta nosso roberto jefferson interior – na arquibancada, são despertados nossos instintos mais primitivos. Queremos trucidar o time adversário – ganhar de muito, pisar – se possível humilhando.


Imaginemos, pois, que a Terra tenha sido invadida por alienígenas pintosos com a cara do Keanu Reeves – e que o destino da humanidade depende de uma irrefutável prova de honestidade. Se os ETs não acreditarem que o homem vale a pena, Keanu dará uma olhada definitiva para o robô, e a terra será reduzida a pó. Keanu informa que nosso futuro depende de dois torcedores escolhidos a dedo: Zé do Rádio e o Dado Dolabella. A maldade: para provar o equilíbrio da raça humana, as camisas serão invertidas. Zé do Rádio terá que argumentar pelo Flamengo. Dado Dolabella defenderá o Sport. Olho no olho. A missão de ambos é chegar a um consenso.

É verdade que os limites da ficção foram estraçalhados quando consideramos a possibilidade do Dado Dolabella argumentar. E que a escolha dos debatedores prejudicou um pouco as chances do mundo. Mas, apressemos o fim da história, apertemos o botão de fast-forward até o momento em que a galera se levanta, Dado quebra o rádio na cabeça do Zé, grita “Mengão Hexa”, “chupa Terra!” e vemos Keanu balançando a cabeça negativamente… (ou, numa versão mais popular, Keanu olha para o robô e diz “É vala”). Bom, toda essa variação sci-fi-boleira da célebre fábula do sapo e do escorpião foi uma tentativa (triste) de ilustrar o óbvio: o torcedor não pensa – ele sente. E torce. E distorce.
***

Epílogo (ou ufa)

E, dito isso e tudo mais, entremos juntos, eu e você, leitor, na filosófica caverna que encerra esta digressão. Lá, no escuro, sob uma luz tímida e sentado num banquinho, encontramos o Wagner Moura fantasiado de Hamlet. O que faz Wagner? Ele lê Shakespeare com voz de Capitão Nascimento. Não há trilha sonora – apenas um eco, um eco do Mercador de Veneza. Qual vai ser, Capitão?

- O diabo, para atingir seus objetivos, cita até as escrituras.

Torcemos para o Super-Homem. Não para Lex Luthor. Não tem jeito. Que os deuses do futebol abençoem o campeonato infinito.


______________________________


A coluna é longa. Quilométrica. Mas é, de longe, a melhor que já li. Ever. Riquíssima em informações. Neutra. E cheia de ótimas tiradas.

E o assunto é interminável. Mas... num mundo em que vários campeonatos já foram decididos no ano seguinte (inúmeros paulistas, incontáveis brasileiros, copinhas, copas, taças, par-ou-ímpar e correlatos), e onde vários países têm dois campeões por ano (como México e Argentina)... por que não declarar tanto Flamengo como Sport campeões nacionais de 1987? O filé mignon o Sport já comeu mesmo, que foi a Libertadores de 1988.

Comentem com parcimônia.
25 Jan 2010
Tenho uma teoria, que vive caramunhando minha cachola. É o seguinte: craque, mesmo, tem poucos; o que tem mais é jogador esforçado em bom momento.

E exemplifico com alguns dos super-times que a gente viu nos últimos anos. O São Paulo do Telê 92/93/94 tinha Raí (craque?), Cafu (idem?), Zetti (goleiraço), Cerezo (craque velhinho indiscutível), Müller. Mas tinha também Pintado, Palhinha (um ótimo 9, mas que não era um Careca), Elivélton (o perfeito exemplo de jogador esforçado em boa fase).

O Palmeiras 93/94 tinha Evair (bom atacante, mas não era craque), Edmundo (craque indiscutível), Roberto Carlos (craque, mas na época era só um garoto), Antonio Carlos (outro exemplo de esforçado), Tonhão e Clebão (precisa explicar?), César Sampaio (craque?), e por aí vai...

O Vasco 98/99/2000 tinha Romário, Edmundo, Felipe, Pedrinho (craque?), Juninho, mas tinha o Nasa, tinha o Odvan, tinha o Viola...

Vale ressaltar que eu acho que aplicam esse status de craque a muita gente de modo indevido. Craque mesmo são poucos.

E minha teoria prossegue: os times muito bons, campeões, são formados por 90% de jogadores bons/médios, esforçados, em boa fase, em um bom esquema tático. Ou seja: treinamento, um técnico inteligente, e voilá!.

Por isso, eu faço uma sugestão: montem seu time com jogadores "B" (esses bons jogadores, esforçados, em boa fase, mas que reconhecidamente não são craaaaaaaaaques.

Eis o meu:

Piraporinha de Santo Antão F.C.
Felipe (Corinthians), Léo Moura (Flamengo), William (Corinthians), Cris (Lyon) e Juan (Flamengo); Maldonado (Flamengo), Pierre (Palmeiras), Júlio Baptista (Roma) e Carlos Alberto (Vasco); Dodô (Vasco) e Herrera (Botafogo).

Fala sério, não seria um time forte pra dedéu?
16 Jan 2010
É 8 ou 80

Devo, antes das linhas que seguem, pequenos esclarecimentos. Esta não é uma crítica a ninguém especificamente, tampouco se resume a esportes, podem ser extrapolados para quase tudo na vida típica do início do século XXI. Os exemplos a seguir foram escolhidos por motivos pessoais, uma vez que constituem parte do que mais gosto de acompanhar. Mas também são alguns dos fatos desportivos com desfechos mais aguardados neste 2010.

Os fatos destacados neste texto têm a seguinte abordagem: as espectativas geradas em razão de seus possíveis resultados variam de retumbantes fracassos a sucessos estrondosos. Em nenhum dos casos a imprensa e os torcedores (provavelmente em um círculo vicioso terrível) dialogam sobre o meio termo.

O primeiro exemplo é a Copa do Mundo, a ser disputada na África do Sul neste meio de ano. A seleção brasileira é comandada por Dunga, que vestia a camisa 8 da equipe campeã em 1994. O gaúcho já foi muito criticado pela imprensa, especialmente depois de 4 empates sem gols como mandante durante as Eliminatórias, e depois da derrota para a Argentina nos Jogos Olímpicos de 2008. Após a classificação para a Copa e o título da Copa das Confederações, o treinador parece ter o aval da população e dos cronistas. O Brasil é favorito. E em todas as vezes que a seleção chegou como favorita, perdeu. Em 1950, derrota para o Uruguai. Em 1966, desclassificação ainda na primeira fase. Em 1974, derrota para a Holanda. Em 1982, para a Itália. Em 1998, três a zero contra Zinedine. Em 2006, o "vexame" contra a mesma França de Zizou. Vexame?

Foi vexame mesmo? A seleção teve 4 vitórias e 1 derrota. Fechou o Mundial em quinto lugar. Falam de festas, de orgias, de má preparação, de que Ronaldinho "amarelou", "pipocou". É verdade? Não. Não foi a primeira Copa em que os jogadores fizeram festas. Garrincha fez um filho em uma sueca em 1958. Romário se divertia bastante fora da concentração em 1994. Os títulos nestas duas edições ocultaram essas "falhas"? E uma derrota para uma equipe forte como a França é vexame? Ronaldinho tinha a obrigação de humilhar todos os adversários e ganhar a Copa sozinho? A equipe foi relativamente bem. Ganhou de bons adversários, foi competitiva. Contra a França, jogou pior, mereceu a derrota. Simples, como é o esporte.

Agora, em 2010, o Brasil pega Portugal e Costa do Marfim na primeira fase. E pode até pegar a Espanha já nas oitavas. Essa seleção teve brilhantes momentos contra Argentina, Alemanha, Portugal e Itália. E também teve atuações ruins contra Bolívia, Peru, Equador. A equipe pode tanto ser campeã como nem passar da primeira fase. E será um vexame se não ganhar o "hexa"? Não, de forma nenhuma. O esporte vive de vitoriosos e derrotados. Ninguém tem obrigação de ganhar. Só de tentar.

O segundo exemplo é o Corinthians. No ano do centenário, montou uma equipe de veteranos. Está fazendo tudo "certo", até agora. Com uma equipe semelhante, Mano Menezes quase ganhou a Libertadores em 2007. Perdeu porque o adversário tinha um jogador que desiquilibrou (Juan Román Riquelme). Agora, parece-me que o treinador conta com Ronaldo e Roberto Carlos para fazer esse papel. O raciocínio parece correto. Mas ninguém fala que o Corinthians não tem obrigação de ganhar a Libertadores. Até mesmo Andrés Sanchez já disse que o Corinthians vai tentar ganhar, mas não tem como jurar para a Fiel que vai trazer a taça. Mas leiam com atenção as manchetes, escutem a opinião nas ruas. É uníssono: se não ganhar a Libertadores, a pancadaria daquele distante Corinthians x River Plate no Pacaembu pode se repetir. Ingênuo quem acha que essa pressão possa ajudar a equipe.

O terceiro exemplo é a disputa entre Felipe Massa e Fernando Alonso na Ferrari. Nas manchetes, coisas como "Alonso vai treinar com a nova Ferrari antes de Massa", "Massa vence Alonso na primeira disputa", "Alonso descarta Massa da disputa do título". Referiam-se ao shakedown programado pela scuderia neste começo de ano (teoricamente privilegiando o asturiano), à disputa durante o Vrooom com karts no gelo (vencida pelo paulista), e à declaração de Alonso de que "... nós teremos adversários duros, como Vettel, Hamilton, Button, Schumacher...".

A Ferrari já declarou que o primeiro a testar será Massa. Serão três dias de treinos. Massa no primeiro dia, Alonso nos outros dois. São treinos para testar o carro, não para os pilotos terem vantagem. Shakedowns são treinos de checagem de sistemas. Só isso. A corrida de kart no gelo ocorreu durante as festas de início de ano organizadas pela Ferrari, para apresentar a equipe para o novo ano. Uma atividade recreativa apenas. E a declaração de Alonso foi feita na primeira pessoa do plural, claramente se referindo à scuderia, incluindo o próprio Massa. Não há nenhum indício de teoria conspiratóra contra Felipe Massa. Isso não aconteceu em 2006, quando ele dividia o carro com Michael Schumacher, não aconteceu em 2007 ou 2008, quando disputava com Kimi Raikkonen, e não acontecerá em 2010.

O último exemplo é a volta de Michael Schumacher. Se for campeão, todos dirão o quão genial é o alemão. Se perder, será taxado como velho, farsa, picareta. É 8 ou 80. "Ser segundo é o primeiro dos últimos", dizia Senna. Uma frase extremamente infeliz. No automobilismo, só um piloto vence, mais de vinte perdem em toda corrida. Ignora-se fatores como experiência e equipamento.

Em resumo: o Brasil deve ter uma equipe competitiva na Copa 2010, assim como o Corinthians; Felipe Massa é um piloto combativo, experiente, deve lutar por vitórias se o carro for bom, pode disputar o título com Alonso, Vettel, Button, Lewis, Schumacher - este último não tem absolutamente nada a provar mais a ninguém.

E é só isso. Esporte é competição, e não faz o menor sentido exigir que alguém vença. A beleza do esporte é que o melhor, o mais competente, vença. Não é humilhar o adversário, nem existe para você tirar um sarro do colega na segunda-feira. O esporte é a busca pela superação. A vitória nunca deve ser vista, nem por imprensa nem por torcedores, como a única coisa que satisfaça.

Levar o esporte a ferro e fogo só o transforma: de algo saudável, passa a ser perigoso e desagradável. É preciso quebrar esse círculo vicioso: a imprensa é radical, e diz que relata as notícias da forma com que os cidadãos desejam; os torcedores reproduzem as opiniões nos veículos de comunicação. Não há ninguém para falar com coerência e equilíbrio?
14 Jan 2010
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